quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Entrevista com jornalista Milton F. da Rocha Filho

Entrevista realizada em 18.09.2007, com Milton F. da Rocha Filho, na época era editor coordenador da Agência Estado/ chefe de reportagem de captação.

Milton F. da Rocha Filho: nasceu em 17 de dezembro de 1945, em São Paulo (SP). Formou-se em Comunicação Social, Marketing e Propaganda na primeira turma da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap/SP), em 1970.

É editor do portal InfoEnergia, desde janeiro de 2010, e do Jornal do Blog, site que criou em 2012. 

1.    O jornal o Estado de S.Paulo é o que mais aborda a questão ambiental? Qual o motivo dessa preocupação?

O Grupo Estado, através da Agência Estado, foi quem iniciou a cobertura do meio ambiente, como uma questão fundamental para a sobrevivência do ser humano neste planeta. Isto ocorreu há quase 20 anos, e foi seguida pelo Estado de S. Paulo. O ex-diretor da Agência Estado, Rodrigo Mesquita, que foi presidente da ONG Mata Atlântica, foi o precursor deste movimento dentro da Imprensa. Sua postura foi fundamental para isto. Veja a defesa da Mata Atlântica, como foi decisiva, senão hoje ela não existiria mais. Foi um pioneirismo, posteriormente seguido por outros jornais brasileiros. Hoje a Vida do Estado de S. Paulo, traz ampla cobertura das questões do meio ambiente.
O Rodrigo Mesquita é acionista do Grupo Estado, como toda Família Mesquita.


2.    Que tipo de angulação o jornal quer mostrar para os seus leitores?

Os jornalistas do Grupo, aqui estou falando da Agência Estado e do Estado de S. Paulo, buscam o fato que seja realmente importante, e que merece atenção por parte da sociedade. Algo que exija uma ação imediata, que se faça algo, como é o caso do buraco de ozônio ou ainda a poluição causada pelo desmatamento. São fatos do dia-a-dia que merecem atenção e disposição da sociedade para que tudo volte ao normal, ou próximo. Veja se a Imprensa não denunciasse o aquecimento do planeta, como ficaríamos? As grandes geleiras dos pólos Norte e Sul estão aí se derretendo. O homem precisa fazer algo. E as cordilheiras do Himalaia, na Ásia? Uma pena, a devastação causada pelo homem nos últimos anos estão tendo conseqüências graves agora.

3.    A partir de quando o jornal percebeu que era importante incluir essas notícias no seu periódico?

Esse sentimento da necessidade de cobrir o meio ambiente surgiu a partir do momento em que se conscientizou que algo deveria ser feito para a sua proteção por parte da Imprensa. E o que a Imprensa pode fazer, é denunciar, mostrar o que está sendo feito de errado. A invasão de áreas de mananciais começaram a ser vistas como fatores de devastação da natureza, colocando em risco a existência de rios. A manutenção da mata atlântica, é um exemplo singelo disto tudo. Hoje sua cobertura é pequena, mas está sendo preservada e existem laboratórios botânicos que geraram espécimes de plantas originais da mata atlântica, ajudando a sua preservação. O uso correto da água, sem o desperdício também foi uma campanha que o Estado de S. Paulo e a Agência Estado vem fazendo de forma permanente.

4.  A abordagem sobre o meio ambiente na mídia, em geral, é feita de forma adequada? Existem profissionais especializados para isso?

No início não existia repórter especializado na defesa do meio ambiente, mas com o tempo eles foram se formando. São jornalistas que fazem cursos especiais, ou se preparam com leitura específica sobre o assunto. A primeira jornalista especializada foi Liana John, que mora em Campinas. Ela realmente foi uma pioneira, como repórter que cuidava especificamente do meio ambiente na Agência Estado e no Estado de S. Paulo. Uma busca no Google com o seu nome, pode comprovar isto. Hoje há muita gente escrevendo sobre o meio ambiente, gente que estudou e se preparou.


5.    Qual a sua opinião ao perceber que a questão ambiental sempre foi um assunto importante, mas pouco mencionado e atualmente está sendo explorado por vários meios de comunicação?

 Eu entendo que é importante esta cruzada por parte da Imprensa em relação à proteção do meio ambiente. Sem ela, pode ter certeza, a situação seria pior do que já é hoje. Não sou melodramático, mas a verdade é que dói, quando se visita a região de Guarapiranga e se vê a invasão da represa invadida por gente que não se preocupa com o meio ambiente e que parece gostar de viver cercado de lixo. Falta nas escolas primárias, maior conscientização em relação ao meio ambiente. É preciso que os vários governos, do Estado, do município e da União, se aplicassem mais para implantar no ensino fundamental, uma forma pedagógica de se ensinar o que se fazer para proteger o meio ambiente. Por que não fazer isto?

  1. Grosso modo, as matérias relacionadas ao meio ambiente não são aprofundadas. Por que isso acontece, é falta de tempo para apurar o assunto ou falta de conhecimento?


 A verdade é que em alguns jornais ou emissoras de rádio ou televisão, não se pode aprofundar e citar termos mais científicos, que em alguns casos são exigidos. Esta é a realidade. Por isso, é preciso que a matéria seja curta nas frases e com um bom e fácil português para que se entenda de forma objetiva. Quando tiver algo mais difícil, é preciso até se fazer um box para esclarecer o que significa o mais difícil. Uma espécie de tradução. O superficial nos casos, na maioria mesmo, é para facilitar a leitura. Quando há a oportunidade de aprofundar, no caso do Estado de S. Paulo, se tem aprofundado. Esta é a verdade. O jornalista que cobre o setor, além de fazer a matéria, e ele pode entender mais cientificamente o que está fazendo, tem que se preocupar em traduzir para o leitor. Está é uma realidade.

Por Angely Biffi


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Inovação Digital: User Experience, Inteligência Artificial e Gamificação

  Recentemente eu fiz um curso onde abordava esses três temas: User Experience, Inteligência Artificial e Gamificação. Achei muito interessa...